2015, o ano dos ajustes e reajustes

Ano novo, vida nova e política econômica nova… Será?

No final de 2014 nós cantamos “It’s the end of the world as we know it” e agora, no começo de 2015, com expectativas renovadas, estamos assistindo a algumas guinadas na política econômica do governo brasileiro, algo que para muitos já era esperado, para outros nem tanto.

Desafios de 2015

Alguns economistas até falam de “estelionato eleitoral”, ou seja, promessas que foram feitas ao longo da campanha só para ganhar voto. Bem, sendo ou não estelionato, fato é que o novo governo está montado e empossado, os ministérios estão na ativa e o novo ministro da fazenda, Joaquim Levy, já está fazendo o que prometeu: buscar caminhos para em 2015 alcançar o 1,2% de superávit primário prometido.

Além disso, no último post de 2014, nós dissemos que não se esperasse nada de novo para 2015. A probabilidade é de que continue a ressaca na qual a maioria dos países do mundo se encontram (exceto para os EUA). Mas 2015 começou quebrando recordes. O atentado ao jornal satírico francês, Charlie Hebdo levou nada menos que 4 milhões de pessoas às ruas! É muita gente… Mais que a população de 15 estados brasileiros. Ou ainda, mais que a população somada de Roraima, Tocantins, Amapá e Rondônia!

Manifestação na França contra o ataque à Charlie Hebdo

Além disso, os Estados Unidos estão no caminho da retomada do crescimento. Os dados de emprego divulgados essa semana mostraram uma retomada histórica do nível de emprego que não ocorria desde meados da década de 80.

Idiossincrasias brasileiras

Mas pros lados de cá, as expectativas são outras. O professor Mansueto Almeida publicou um post em seu blog relacionando 10 promessas de campanha do governo Dilma que foram cumpridas “ao contrário”, ou seja, foram na contramão do que foi prometido. Mansueto conclui assim seu texto:

Depois de tantas promessas não cumpridas qual a grande esperança? Que a Presidente da República deixe de ser o (verdadeiro) ministro da fazenda e que o ministro da fazenda passe a ser algo muito próximo do que se espera que seja um ‘Presidente da República’“.

Nós concordamos com o professor Mansueto em certa medida, mas vamos um pouco além. Esperamos que esse ano represente uma guinada tanto na condução da política econômica, quanto no posicionamento do Brasil em questões comerciais e socioeconômicas (como educação, saúde, segurança e corrupção).

Os pontos que o professor Mansueto elenca são cruciais e demonstram os descaminhos que a gestão Dilma 1.0 tomou, principalmente no que tange ao controle da inflação, a continuidade do ritmo de crescimento do governo Lula, e o aumento dos investimentos.

O grande mérito desse governo, a nosso ver, é o foco nas políticas sociais. Podemos dizer que antes, no país, não houve uma preocupação tão grande com a parcela mais pobre ou miserável dos brasileiros.

Desigualdade

Governos anteriores, todos eles, desde que Portugal chegou a nossas terras, têm demonstrado preocupação com classes sociais muito específicas. Contudo, hoje existe uma objetiva intenção em resgatar os mais pobres da miséria, em incentivar os mais ricos a investir, a criar condições para uma sociedade mais justa.

Desigualdade social é latente no país.

Ainda estamos bastante aquém, mas isso mostra uma mudança de perspectiva. E não cabe aqui colocar-se apenas o viés que isso é estratégia para se perpetuar um grupo no poder. Intenções subliminares à parte, fato é que esse tipo de ação beneficia a população como um todo. E ponto.

Mas como podemos notar o governo ainda deixou muitos pontos a desejar. As promessas feitas no passado não foram cumpridas. Logo, o governo começa esse ciclo com a credibilidade em baixa. Um exemplo disso é o relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, órgão internacional composto por 34 países, com sede em Paris) sobre desigualdade, divulgado no final de dezembro.

De acordo com o relatório da OCDE (da qual o Brasil não faz parte), quanto maior a desigualdade detectada num país, pior sua perspectiva de crescimento. Um dos fatores para o aumento da desigualdade é a piora na educação de uma nação e, torcendo para que ninguém fique assustado, sabemos que a educação por aqui não tá legal!

Agora é hora de arrumar a casa e por esta razão 2015 pode ser um ano bastante difícil, por conta das medidas econômicas austeras necessárias a serem tomadas, com o risco de comprometer a integridade das políticas sociais.

Novidades

Entretanto, nem tudo é tão feio quanto parece. O esperado 2015 já começou e o Análise Econômica está de volta e de cara nova! Para comemorar o nosso retorno, decidimos lançar um concurso cultural. O prêmio será um dos maiores best-sellers de 2014, do economista mais pop do momento, Thomas Piketty: O Capital no Século XXI.

O Capital no Século XXI

Para ganhar o livro é fácil. Envie para nós a resposta (aqui) para a seguinte pergunta: “O que você espera para 2015?”. A resposta deve ser de até cinco linhas, ter alguma relação com as questões econômicas e, obviamente, ser criativa!

A melhor resposta ganhará o livro e será divulgada nas redes sociais. O concurso encerra-se em 14 de fevereiro (meio-dia, horário de Brasília) e o resultado será divulgado no dia 21 de fevereiro, no mesmo horário.

Não perca tempo! Mande sua resposta pra gente!

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, entre em contato conosco.

Para saber mais:
Inequality hurts economic growth, finds OECD research – http://bit.ly/1zmYie9
Nos prometeram……. – http://bit.ly/157KKYA
Pátria educadora – http://bit.ly/1B6loYI
529 mil alunos ficaram com nota zero na redação do Enem 2014, diz MEC – http://glo.bo/1IrQJpR

Créditos da imagem:
2015 – http://bit.ly/1IOEyBG
Manifestação na França – http://bit.ly/1xtEctH
Desigualdade – http://bit.ly/1sDCZnP
O Capital no Século XXI e Thomas Piketty – http://bit.ly/1xtDT1P

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