O autointeresse sobre as relações socioeconômicas

“O homem, entretanto, tem necessidade quase constante da ajuda dos semelhantes, e é inútil esperar esta ajuda simplesmente da benevolência alheia. Ele terá maior probabilidade de obter o que quer, se conseguir interessar a seu favor a auto-estima (sic) [autointeresse]  dos outros, mostrando-lhes que é vantajoso para eles fazer-lhe ou dar-lhe aquilo de que ele precisa. É isto o que faz toda pessoa que propõe um negócio a outra. Dê-me aquilo que eu quero, e você terá isto aqui, que você quer — esse é o significado de qualquer oferta desse tipo; e é dessa forma que obtemos uns dos outros a grande maioria dos serviços de que necessitamos. Não é da benevolência do açougueiro, do cervejeiro ou do padeiro que esperamos nosso jantar, mas da consideração que eles têm pelo seu próprio interesse. Dirigimo-nos não à sua humanidade, mas à sua auto-estima (sic) [autointeresse], e nunca lhes falamos das nossas próprias necessidades, mas das vantagens que advirão para eles.”

– SMITH, Adam. Uma Investigação sobre a causa e a natureza da riqueza das nações. São Paulo: Editora Abril Cultural, 1996, p. 74.

Essa é uma das citações mais importantes da história da ciência econômica moderna, já gerou muitas discussões e, inclusive, foi a grande motivadora de uma das teorias econômicas mais presente na atualidade: a teoria dos jogos. Smith, quando citou o trecho acima, dissertava sobre a natureza da divisão do trabalho. Apesar de muito discutida, ninguém ainda conseguiu refutar completamente a ideia presente nessa citação: as trocas são muito presentes nas relações humanas.

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