Ciência e desenvolvimento, uma relação de longo prazo

Uma das notícias que saiu hoje na Folha de SP traz a seguinte chamada: “Brasil tem só 4 dos 3215 cientistas cujas pesquisas tem maior impacto”. Essa listagem de cientistas foi feita pela consultoria Thomson Reuters. Porque isso é importante?

Recentemente, conclui um artigo acadêmico (postaremos aqui em breve) com uma de minhas mestras (Ivy Judensnaider) no qual analisamos a evolução das políticas voltadas à ciência no período da Ditadura Militar, em outras palavras, buscamos verificar como era a relação entre economia, ciência e Estado, e os impactos disto no desenvolvimento nacional.

Uma de nossas conclusões foi impactante: o governo militar não buscou a cooperação, nem o incentivo à pesquisa científica, muito pelo contrário, perseguiu e até exilou muitos cientistas brasileiros. O impacto disso é sentido até hoje, tanto em termos de desenvolvimento econômico, quanto em termos de desenvolvimento social. Tá, mas o que isso tem a ver com a matéria da Folha?

Simples: com a perseguição e a falta de cooperação, criou-se uma cultura de isolamento da comunidade científica dentro das universidades. Felizmente, ainda existem alguns nomes que se destacam, como os citados no artigo da Folha mas que na prática são casos isolados e seu impacto em termos de desenvolvimento nacional é baixo se comparado a quantidade de ideias que trazemos do exterior.

Se hoje enfrentamos dificuldades de infraestrutura, produtividade, dentre outros, isso é em grande parte decorrente de erros do passado, o que mostra como nossa dificuldade de olhar para o futuro e pensar no longo prazo não é de hoje. Resta-nos pensar: até quando continuaremos míopes?

Para saber mais:
Brasil tem só 4 dos 3.215 cientistas cujas pesquisas têm maior impacto – http://bit.ly/1y6SUxf

Créditos da imagem:
http://bit.ly/1Mn8fAx

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