Uma crise se avizinha

Problemas fiscais na Itália - Uma crise se avizinha

Há uma crise rondando o mundo e ela pode ter como epicentro a Europa, a começar pela Itália. O governo italiano desafiou as regras da Comissão Europeia. Ao apresentar um projeto orçamentário que prevê um déficit fiscal de 2,4% do PIB em 2019, colocou em xeque a autoridade europeia. Além disso, Bruxelas emitiu nota falando sobre o excesso de otimismo italiano ao apontar a previsão de crescimento do PIB em +1,5% em suas peça orçamentária.

As autoridades europeias creem, portanto, que o déficit de 2,4% do PIB pode ser ainda maior caso o PIB não cresça no ritmo esperado pelo governo italiano. Dados da Eurostat apontam que a Itália tem apresentado sucessivos déficits fiscais. A dívida total do governo saiu de 99,8% do PIB em 2007 para 131,2% do PIB em 2017.

A despeito das quedas marginais deste indicador nos últimos três anos, em percentual do PIB, a Itália ainda é a detentora da segunda maior dívida da União Europeia. Fica atrás apenas da Grécia, cuja dívida atingiu 176,1% do PIB em 2017. Em valores absolutos, a dívida italiana é a maior entre todos os países que compõem o bloco.

Participação na dívida total da União Europeia em 2017 - Uma crise se avizinha.

O gráfico evidencia o tamanho do desastre que pode ser ocasionado caso a Itália entre em uma crise severa. 18% de toda a dívida da União Europeia está nas mãos da Itália. Isso levará o mundo a crer na incapacidade de pagamento de sua dívida soberana, gerando uma crise financeira realmente impactante.

Lembrando que existe a possibilidade de a Itália crescer a um ritmo maior a partir de 2019. Isso poderia trazer o déficit corrente para um percentual menor em relação ao PIB. Entretanto, o desgaste político junto à Comissão Europeia poderia ser o estopim de uma nova crise da dívida na União Europeia.

Dívida Bruta do Governo Geral da Itália (em milhões de Euros e em Percentual do PIB) - Uma crise se avizinha.

Outro ingrediente importante da crise global que se avizinha é a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit). Objetivamente, a maior preocupação é com o impacto sobre as cadeias produtivas e o comércio.

Os vínculos entre a União Europeia e o Reino Unido são profundos. A questão principal, portanto, é em quais termos se dará o divórcio de modo a reduzir o impacto sobre a economia. A reversão da integração prejudicará o emprego e o produto na UE no longo prazo, isto é aceito por boa parte dos economistas e analistas. O que ainda não está evidente é a dimensão desse impacto.

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Um acordo preliminar elaborado pelo gabinete da Primeira-Ministra, Theresa May, já está em discussão. Além dos aspectos econômicos, há também elementos importantes em jogo, como quem arcará com os custos da saída e a manutenção dos direitos de cidadãos europeus no Reino Unido e vice-versa.

O Conselho Europeu realizará uma reunião extraordinária para validar o texto em 25 de novembro. Em dezembro, o projeto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento britânico por pelo menos 320 dos 650 parlamentares. Caso não seja aprovado, Theresa May terá 21 dias para esboçar um novo plano.

A Europa parece uma bomba relógio prestes a explodir. E essa bomba pode afetar o Brasil. Por ora, as incertezas são as principais inimigas. Com os termos do acordo não definidos, a produção e o comércio com outros países também fica comprometido.

O impacto dessas incertezas sobre os investimentos afetará o nível de atividade e emprego, tanto sob a ótica do Brexit, quanto sob a ótica do orçamento europeu e a dívida italiana. Desse modo, mais uma vez, o velho continente está no olho do furacão de uma nova crise global.

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