Desemprego, renda e existência social

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) Contínua do IBGE do trimestre móvel findo em setembro de 2016 apresentou um nível de desocupação de 11,8% da população economicamente ativa (PEA).

Trocando em miúdos, de toda a população em idade ativa e procurando emprego, 11,8% estão desocupadas, o que representa pouco mais de 12,02 milhões de pessoas sem emprego.

São mães e pais de família sem dinheiro para colocar comida na mesa. Pessoas com suas necessidades não atendidas por falta de renda. Pessoas que só possuem sua força de trabalho como fonte de sustento e, infelizmente, não estão logrando êxito em sua hercúlea tarefa.

Mas como chegamos até aqui?

Há diversas explicações. Conseguimos, facilmente, numerar pelo menos sete (que, em grande medida, estão interligadas):

  1. Crise financeira iniciada em 2008;
  2. A queda da demanda da China por commodities;
  3. Alavancagem das empresas e endividamento das famílias;
  4. O enfraquecimento do mercado interno brasileiro;
  5. Crise política;
  6. Crise fiscal brasileira;
  7. Baixo nível de investimentos e inovação.

Nossa visão é de que a crise de 2008 é o ponto de partida. Um prognóstico errado da crise levou a tomada de algumas ações em termos de políticas públicas que, diretamente associada à queda de demanda chinesa, nos colocou num “mato sem cachorro”.

Vendo o setor externo fraco, optamos por estimular a demanda interna. Liberamos crédito e o consumo explodiu. Empresas também se endividara mais no processo para atender essa demanda. Mas atingimos o limite.

Aí vimos a sequência posta: entramos numa crise política com o esgotamento de um modelo que veio praticamente desde o início dos anos 2000; essa crise se refletiu, inclusive, no campo fiscal, com elevação da dívida pública e queda da arrecadação.

A “cereja do bolo” de todo esse processo foi a baixa capacidade de investir e inovar das empresas brasileiras. Mas, para muitos, isso nem entra em consideração. O problema central é o tamanho do Estado e sua capacidade de gastar.

De todo modo, esse cenário perverso fez com que as famílias se endividassem, consumissem menos; as empresas, por sua vez, com vendas e receitas em queda, cortaram empregos e o círculo vicioso se instalou.

Um dos grandes problemas é que cada indivíduo, para “existir socialmente” no modo de produção capitalista, além de sua representatividade política, precisa de sua autonomia econômica. Sem renda, portanto, os indivíduos tem sua autonomia enfraquecida. Ou, como diriam os manuais, sua reprodução social fica comprometida.

O que essas variáveis apontam é que sem reestabelecer as condições para o queda do desemprego e elevação da renda, provavelmente demoraremos mais do que o desejado para sair dessa crise.

E, infelizmente, os dados apontam que os sinais de melhora ainda não estão próximos. Os 11,8% que apontamos no começo do texto, que se repetiram nos últimos dois meses de divulgação da Pnad contínua (agosto e setembro), são reflexo disso.

Com o final de ano se aproximando, vemos uma elevação dos empregos temporários e, por conseguinte, manutenção do nível geral de emprego/desemprego.

Mas e depois?

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