Olimpíadas 2016: uma discussão sobre eficiência

Pareceu-nos bastante oportuna a discussão sobre as obras da Vila Olímpica nesse momento tão delicado do país, politica e economicamente.

O Brasil passa pela mais severa recessão de sua história e, por conta disto, discute-se fortemente a necessidade de um ajuste.

Tal ajuste, em especial, dar-se-á nas contas públicas, tendo em vista que o Estado é o principal agente a impactar negativamente na economia.

Vale lembrar que essa discussão tomou corpo após as eleições de 2014, quando ficou evidente o resultado negativo do governo.

A partir de então, tornou-se um mantra da maioria dos economistas a proposta de corte de gastos, tendo em vista o entendimento de que o Estado “está grande demais”.

Conversa vai, conversa vem. Ministro entra, ministro sai. A recessão se aprofundou.

Entrou presidente, saiu presidente. Trocou toda a equipe. Pouca coisa mudou.

E nesta semana, para completar o cenário, tomamos conhecimento da arrecadação federal, do resultado primário e do resultado nominal.

Os resultados, como eram de se esperar, vieram novamente ruins.

No meio de todo esse cenário caótico, um alento: as olimpíadas. O maior evento esportivo do planeta. A festa que reúne o maior número de países. O evento transmitido para quase toda a população do mundo.

E logo na “largada” o vexame: boa parte das obras não estão prontas.

Recursos muito acima do orçado foram despendidos, um contingente elevado de trabalhadores foi utilizado, prazos foram descumpridos.

E, infelizmente, nada disso nos surpreende mais. Pior: preferimos fazer chacota a discutir os problemas reais, afinal, o brasileiro é assim mesmo, né?

O que nos parece importante e é algo que temos discutido incansavelmente e incessantemente é resumido em uma palavrinha chave que se tornou um tanto cliché em alguns círculos: EFICIÊNCIA.

Diferentemente do que muita gente pensa, eficiência não é simplesmente “fazer mais com menos” (algo que assusta a esquerda e entusiasma a direita).

Peter Drucker, considerado o pai da Administração Moderna, escreveu em 1964 um livro intitulado “The Effective Executive” (“O Executivo Efetivo” em tradução livre).

No decorrer do livro, ele disserta vastamente sobre as questões da eficiência e da eficácia. Uma de suas famosas citações, que por sinal se encontra na obra supracitada, é: “eficiência é fazer as coisas da maneira correta, eficácia são as coisas certas. O resultado depende de fazer certo as coisas certas”.

Vamos ilustrar essa reflexão resgatando um exemplo.

No que se refere a questão do transporte, é possível afirmar que estamos fazendo as coisas da maneira correta, principalmente em SP, onde:

  • A frota de ônibus vem sendo renovada nos últimos anos;
  • Muitos desses ônibus utilizam combustíveis renováveis;
  • Muitos destes ônibus são confortáveis (ar-condicionado, poltronas estofadas, wi-fi, etc.) e totalmente adaptáveis para pessoas com necessidades especiais;
  • A integração entre outras redes de transporte (notadamente trens e metrô) tornou-se ainda mais fácil;
  • O bilhete único facilitou o uso do transporte; etc.

Isso tudo se refere a eficiência, de acordo com a citação de Drucker, pois é fazer as coisas da maneira correta.

Entretanto, só para “apimentar” o debate, podemos discutir amplamente a questão da eficácia: será que as atitudes corretas estão sendo feitas?

É muito bacana modernizar toda a frota de ônibus, torná-la mais agradável com ar-condicionado, com poltronas mais confortáveis, mas isso tudo encarece o preço da passagem, logo, será que é a atitude correta? Discutir isso é discutir eficácia.

Mas, para não perdermos o foco, entendemos que o debate sobre eficiência precede o debate sobre eficácia e, assim sendo, falar de eficiência significa refletir sobre o processo e o efeito das ações.

Em economia, um conceito que complementa esse debate é o conceito de “multiplicador”. Significa, literalmente, o que se entende pelo termo. Em outras palavras, ampliar o resultado das ações é mais importante do que “fazer mais com menos”.

Novamente: o que, portanto, parece-nos importante debater não é a limitação do gasto público, mas a sua eficiência, seus resultados.

Enquanto não tivermos coragem de debater seriamente a qualidade do gasto, sua eficiência, o país continuará refém de si próprio. Enquanto não tivermos coragem de falar sobre eficiência, continuaremos vendo obras atrasadas, custos superando o orçamento inicial. E, porque não pontuar também, corrupção e outras coisas.

As Olimpíadas são somente um exemplo. Na corrida do desenvolvimento, o Brasil continua atrasado.

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