Trump sobretaxou aço e alumínio. E o Brasil com isso?

Nos últimos dias, a repercussão sobre a política protecionista de Donald Trump tem sido o assunto mais falado no mundo todo. E isso ficou bastante evidente no Brasil.

Não é de se espantar que o assunto tenha tomado tamanha proporção no Brasil, uma vez que somos o maior produtor de aço da América Latina. Essa proporção está ligada à excessiva dependência do Brasil com relação ao mercado externo.

Em outras palavras, dada nossa pouca capacidade de crescimento (tirando o consumo das famílias não sobra nada), o Brasil olha com muito cuidado para as possibilidades de crescimento via exportações.

Além disso, em 2017, nosso país foi o segundo maior exportador da commodity para os Estados unidos, ficando atrás apenas do Canadá, conforme pode ser visto no gráfico abaixo.

Se o tiro de Trump tinha como endereço a economia chinesa, o poder de alcance da medida deve ficar muito mais restrito aos parceiros comerciais mais próximos. Entre os quatro maiores fornecedores de aço em 2017, três estão nas Américas. Pela ordem: Canadá, Brasil e México.

Desdobramentos

Nos movimentos que se sucederam após o anúncio da taxação, alguns chamam bastante atenção.

Por parte dos Estados Unidos, chama a atenção o fato de a medida atingir fortemente o seu maior parceiro comercial, o Canadá. E nesse sentido, não devemos nos esquecer sobre o nono e décimo lugar respectivamente do Brasil e China nos destinos das exportações aos Estados Unidos.

Se a China é apenas o nono destino das exportações dos Estados Unidos, é justamente ela que mais cresceu entre os anos de 2006 e 2016. O crescimento chinês girou algo em torno de 114%, seguido por Hong Kong 94%, México 74% e Brasil 60%.

Parece que as certezas protecionistas do presidente estadunidense começarão a esbarrar no tênue jogo geopolítico, jogo pelo qual Trump demonstra ter bem pouco conhecimento.

No meio de tantas incertezas e preocupações entre os produtores de aço no Brasil e nos outros importantes fornecedores dos Estados Unidos, o que fica perceptível é a nossa alcunha de país primário-exportador. Cabe lembrar que estamos muito preocupados em mantermos nossa posição de fornecedores de matéria-prima.

É claro que o nosso atraso tecnológico não deve recair sobre os nossos importantes produtores de produtos básicos, ou seja, não tem problema sermos um importante player no mercado global de commodities, desde que tenhamos uma indústria competitiva nacional e internacionalmente.

E mesmo no posto de fornecedor de matéria-prima a situação é bastante delicada.

Caso Trump não estenda a exceção da cobrança da sobretaxa ao aço no Brasil (como o fez ao Canadá e México), o processo pode prejudicar um setor que atualmente emprega 105,5 mil trabalhadores.

Estamos de olho nos próximos capítulos dessa novela.

Anexos

Anexo (1)

Anexo (2)

Anexo (3)

Produção mundial de aço bruto por região – Janeiro de 2018 (colunas em azul) em comparação com janeiro de 2017 (colunas em roxo).

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