O impacto de Y=C+I+G+(X-M) em nossas vidas

Um desses dias, durante a aula, o professor nos propôs uma reflexão com base na equação Y=C+I+G+(X-M), sob o seguinte questionamento: “se você fosse o novo presidente do Brasil, de que forma você alteraria as variáveis desta equação a fim de promover o crescimento econômico?”

Olha, eu até entreguei, mas confesso que ficou muito aquém do que eu realmente proporia.  Então eu continuei refletindo no significado e no impacto disso no caminho de volta pra casa – eu tô falando aqui como se todo mundo fosse obrigado a saber o que significa aquela equação, né? Perdoem-me a indelicadeza – Vou explicar o motivo da minha reflexão.

A fórmula que está no título desse texto e que eu vou repetir aqui abaixo é o cálculo do PIB (também chamado de identidade macroeconômica). É uma forma de retratar o nosso país, e como o comportamento dos agentes da sociedade impacta no crescimento da nossa economia. Isso inclui tanto governantes, quanto empresários, você e eu. Sim, você também é responsável, assim como toda a sociedade, pelo resultado desta equação. Sem mais delongas, vamos ver o que cada uma dessas letras significa:

Oficialmente, esse cálculo foi criado pelo economista inglês Richard Stone e foi adotado como modelo de cálculo pela ONU a partir de 1953, entretanto ele é o resultado de uma evolução contínua de pensamento que começou com o marginalismo do século XVIII, mas eu não quero fugir do foco aqui, portanto eu falarei desta evolução de pensamento em outro momento.

Fazendo um comparativo, sabe aqueles nutricionistas que vão à televisão defender determinada dieta, levantando seus benefícios para uma vida mais saudável? Então, o PIB é como se fosse essa dieta; e os economistas, os líderes de governo e os cientistas sociais em geral são como os nutricionistas. Cada um defendendo um tipo diferente de dieta, mas com o mesmo objetivo de trazer o bem estar aos agentes da sociedade. Só que existem os lados ruins de se fazer uma dieta, que são os efeitos colaterais. O consumo excessivo de sódio pode causar hipertensão, mas a ausência deste mesmo é fatal ao nosso organismo.

Partindo dessa linha de raciocínio, se um governo foca mais no incentivo ao consumo (C) e menos em investimentos nas estruturas produtivas (I), por exemplo, um dos efeitos colaterais será a inflação. Este exemplo é bem próximo ao brasileiro, pois em nossa recente história vivemos um período de grande expansão de crédito, mas com a infraestrutura incapaz de acompanhar esta necessidade de consumo, logo, há um aumento geral dos preços praticados.

Outro exemplo muito próximo da nossa realidade é o modelo baseado na transferência de renda, onde o governo (G) aumenta seus gastos para políticas assistencialistas de transferência de renda e seguridade social (Bolsa Família, Seguro desemprego, Aposentadorias) permitindo que a economia receba agentes até então impossibilitados de ser economicamente ativos. Um dos principais efeitos colaterais é o balanço final das contas do governo que ficam negativos, o que é péssimo para a estabilidade da moeda.

Por fim, temos o saldo da balança comercial, ou seja, a diferença entre o saldo de exportação e importação (X-M) que trata diretamente das nossas relações internacionais. Nosso país praticamente nasceu sob esta premissa, pois até meados de 1960, éramos muito dependentes das exportações das nossas commodities (bens de consumo primário, como café, cana de açúcar, soja, etc.).

Perceba que em todos os casos aqui citados, foram utilizados exemplos brasileiros e perceba também que um fator principal exerce influência sobre todos os demais, assim como um organismo vivo. O PIB é um organismo vivo, pois é o resultado de pessoas que tomam decisões, por isso, quando você decide comprar um carro, uma casa, ou guardar dinheiro, arrumar um emprego ou ficar desempregado, saiba que a economia sente os impactos da sua decisão e estes impactos refletem em toda a sociedade, levando os líderes a tomar decisões para manter o equilíbrio destas escolhas entre os demais.

A partir dessa analogia, ao longo desta semana vamos ver quais os impactos da aplicação destes “ingredientes” na sociedade. Vamos usar exemplos práticos de medidas adotadas por governos no Brasil e no mundo que fizeram suas políticas baseando-se em diferentes dosagens da aplicação de cada um destes além dos modelos citados acima, claro!

Para saber mais:
O que é o PIB – http://bit.ly/1zTilOg

Créditos de imagem:
PIB – http://bit.ly/1H1esi1
Inflação – http://bit.ly/1KELQdn

Leia os demais artigos que compõem esta série clicando aqui.

10 thoughts on “O impacto de Y=C+I+G+(X-M) em nossas vidas

  • Olá, entendi perfeitamente o conceito do PIB e suas variáveis, no entanto, analisando friamente o respectivo cálculo: Y = C+I+G+(X-M) é possível concluir que as variáveis C, I, G, principalmente, são proporcionais e não conflitantes, quando na verdade, se G tende ao infinito, tanto C, quanto I tendem a 0. Pois como o dinheiro de G, na verdade foi tirado de C (consumidores) e I (empresas que investem) através de impostos, a capacidade destes de consumir e investir, agora foi diminuída.
    O calculo esta dizendo, analogicamente falando, que se eu encher um balde com água da parte mais funda da piscina e jogar a água na parte mais rasa da mesma, eu terei aumentado o volume total de água. Esta é a grande crítica ao modelo Keynesiano econômico, que leva principalmente em conta este calculo em seus modelos. Então, resolvendo a charada, quanto menor for o tamanho do governo de um determinado país, mais o valor de G tenderá a 0 (pois o governo agora não precisará de tantos impostos) e consequentemente mais dinheiro sobra para as pessoas consumirem “C” e para as empresas investirem “I”. Empresas investindo mais e produzindo mais, tanto X (exportações), quanto M (importações) tendem a aumentar, pois agora temos mais produtos a exportar, e precisamos investir em maquinário de ultima geração (importar). Podemos concluir, portanto, que os problemas econômicos foram, são e sempre serão devido exclusivamente ao governo e seu inchaço.
    Para o bem do debate, é importante não só levar em conta a teoria, como observações práticas e empíricas. De um modo pragmático, um bom parâmetro, é analisar os países em que G tende a 0 e comparar com a qualidade de vida e riqueza de sua população (aumento de “C”), bem como, o poder de investimentos de suas empresas (“I”). Comecemos pelo índice de liberdade econômico, de acordo com o link: https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%8Dndice_de_Liberdade_Econ%C3%B4mica , podemos ver que Brasil está em 153° lugar (considerado reprimido). Ou seja, o Brasil não tem liberdade econômica e isso é reflexo de um “G ” que tende ao infinito. Por outro lado, os países que estão nos 34 primeiros lugares da lista, o “G” tende a 0.
    Conforme a lista dos 10 países mais socialmente avançados do mundo: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/07/os-10-paises-mais-socialmente-avancados-do-mundo.html , e comparando com a lista anterior, todos são pertencentes aos países com alto grau de liberdade onde o “G” consequentemente tende a 0.
    Portanto mais uma vez, países com estado agigantado, a população é sempre pobre, atrasada e oprimida. Quer realmente melhorar o país? Temos que exigir que o estado seja limitado e “G” tender a 0.

    • Olá, Diogo.
      Obrigado pelo comentário.
      Certamente, consumo e investimentos devem ter mais espaço no PIB, partindo da simplificação da identidade macroeconômica.
      Importante, também, ter em mente as análises de Ha-Joon Chang ou Mariana Mazzucato. Mesmo os países mais avançados e bastiões do liberalismo tiveram que construir e galgar seus caminhos com ações direcionadas por meio do Estado. E, paulatinamente, o Estado vai abrindo institucionalizando os desdobramentos de tais ações e abrindo espaço para o mercado atuar por si próprio.
      Fique a vontade para entrar conosco, tirar dúvidas, mandar suas críticas e sugestões.
      Abraços,
      Equipe Análise Econômica.

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