A importância do resultado positivo

Responda rapidamente: o que sobra do seu salário no final do mês? Aliás, seu salário chega até o final do mês? Se por acaso você é empresário, reflita também: sua empresa chega ao fim do mês no verde ou no vermelho? Você está utilizando os limites das contas, contraindo empréstimos ou algo assim? Vamos repercutir essa dúvida para a equipe econômica do governo: a receita dos impostos está sendo suficiente para pagar as contas e investir no desenvolvimento econômico do país?

Sendo você consumidor, empresário ou o próprio governo, uma coisa é certa: as suas receitas devem ser maiores que as suas despesas, caso contrário você tem ou terá problemas de caixa em algum momento. Para termos alguns parâmetros, veja algumas informações:

• pelos dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 61,9% das famílias brasileiras terminaram o ano de 2014 endividadas;

• de acordo com a revista Exame, com base nos dados do Serasa Experian, as empresas estão com mais dificuldades de honrar seus compromissos e desde 2010 esse esse índice só aumenta;

• segundo o Banco Central do Brasil, o resultado nominal do setor público no ano de 2014 terminou o ano apresentando um déficit de R$ 60,1 bilhões. Para quem não conhece os conceitos que envolvem os números finais que montam esse “resultado nominal” do setor público, acompanhe nosso site que brevemente postaremos um texto que explica com mais detalhes de como se chega a essa equação. Por enquanto basta dizer que essa previsão de um déficit de mais de R$ 60 bilhões é altamente nociva para a saúde da economia brasileira.

Estamos muito endividados e isso pode prejudicar nossos planos.

Estamos muito endividados e isso pode prejudicar nossos planos.

Em outras palavras, a situação geral do brasileiro não é das mais confortáveis. Daí deriva a reflexão que motivou este artigo: qual a importância do resultado positivo, diante de um quadro que mostra que a maioria das pessoas (físicas, jurídicas e governamentais) apresentam resultado negativo?

Para começar a entender a importância do resultado positivo, precisamos ter em mente duas coisas: 1) se você está devendo, você está utilizando recursos que não são seus; 2) as dívidas comprometem seu futuro e, consequentemente, seus planos e objetivos.

Sobre o primeiro ponto, a lógica é simples. Se você pegou um empréstimo, está usando o cheque especial ou cartão de crédito, este dinheiro é do banco ou de outro agente financeiro, e você terá que devolvê-lo em algum momento (com juros altos, taxas, impostos, mas essa é outra história). Se você comprou um bem e teve que parcelá-lo, a ideia é a mesma, ou seja, o bem somente será seu após a quitação.

Já sobre o segundo ponto, parece que é menos claro para a maioria, mas acreditamos que seja o mais importante: as dívidas podem comprometer os seus planos. Para simplificar, acompanhe um exemplo bastante comum. O uso contínuo do cartão de crédito.

O cartão de crédito mal utilizado pode ser uma arma contra você.

O cartão de crédito mal utilizado pode ser uma arma contra você.

Vamos supor que você recebe um salário de R$ 2 mil por mês, e tem um cartão de crédito com limite de mil reais, ou seja, metade do seu salário. Você utiliza o cartão todos os meses e paga integralmente o montante do boleto nas datas corretas. Então, para premiá-lo pelo bom uso do seu crédito, o banco aumenta seu limite, que passa para R$ 1,5 mil (75% do seu salário).

Como você utiliza o cartão com frequência e paga sempre em dia, o banco também aumenta seus limites. Chega um ponto em que você tem um cartão com um limite muito maior do que o valor do seu salário (às vezes, chega a ter até mais de um cartão).  Com o uso contínuo desses cartões, você acaba contraindo uma dívida maior do que o seu salário. Daí, você cai na armadilha que os bancos e administradoras de cartões de crédito são apaixonados: paga o “mínimo”. O restante da dívida passa a ser calculada sob juros pornográficos, seu nome cai na lista dos serviços de proteção ao crédito e você fica com a renda comprometida.

Claro que o exemplo é muito simplista, mas serve para ilustrar que, a partir do momento que você decide se enroscar numa dívida, compromete uma parcela geralmente importante de sua renda. Caso você atrase essa dívida, os juros vão assustar e sua dívida cresce no sentido vertical. Desse modo, você terá que dispor todos os meses de uma parcela maior da sua renda para quitá-la, o que compromete seus planos, projetos e escolhas.

Essa lógica funciona para uma pessoa, para uma empresa ou para o governo. Se você gasta mais do que ganha, em algum momento terá que pagar. Se a dívida ficar muito grande, terá que abrir mão de alguns gastos (como lazer, cultura, investimentos etc), para conseguir quitar as dívidas. Ou, cenário de terror, a coisa avança de uma maneira que a conta não fecha, fica impagável, e as soluções ficam cada vez mais distantes.

Por fim, a manutenção de um resultado positivo (o verdadeiro foco desta reflexão), permitirá que você possa realizar seus projetos, planos, investimentos. O resultado positivo na conta no final do mês significa, de modo geral, que você aproveitou bem os recursos do qual dispunha de tal modo que sobrou para fazer mais coisas e planejar o futuro.

Esperamos, sinceramente, que esse seja seu perfil.

Fontes:
Famílias endividadas recuam para 61,9% em 2014 – http://abr.ai/1EWhnHY
Inadimplência das empresas cresce 5,8% em 2014 – http://abr.ai/1KJIg0j
Nota de política fiscal à imprensa – http://bit.ly/1kFeI96
Brasil fecha 2014 com déficit primário de R$32,536 bilhões – http://abr.ai/1E4CKD5

Créditos da imagem (na ordem em que aparecem):
http://bit.ly/1y7HT8W
http://bit.ly/1FvpfO4
http://bit.ly/1y9FhaG

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