Inadimplência e as consequências para o desenvolvimento

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O ano era 2010, não faz muito tempo. Acredito que muitos de vocês leitores se lembram deste período de que alguns economistas mais otimistas chamavam de “pequeno milagre econômico”. O governo disse ao povo, “podem comprar“, e o povo mais que prontamente atendeu aos anseios do planalto e foi às compras.

Parcelou, comprou, adquiriu e, em muitos casos, estão sentindo agora os impactos destes produtos e serviços adquiridos. Segundo  reportagem do jornal O Estado de São Paulo, com base no relatório divulgado pelo Serasa, o número de inadimplentes bateu o recorde de 57 milhões.

Se colocarmos em contraponto com a população economicamente ativa (maiores de 14 anos, empregados e trabalhadores autônomos) que é em torno de 130 milhões, trata-se uma parcela considerável da população. Fatores como a falta de educação financeira é um dos principais motivos, pois na maioria dos casos a inadimplência surge por não terem sido considerados os imprevistos no médio e longo prazo.

Vamos a um exemplo simples. João recebeu uma promoção e está muito otimista. Pensou em  utilizar este novo valor que passaria a receber com a promoção, adicionado ao das horas extras (vamos chamar este novo valor de receita variável) para investir em um carro, parcelando este bem em 72 vezes. Após um ano, João já estava com o seu carro e pagando em dia seus compromissos com esta nova renda, porém, os negócios  na empresa em que João trabalha não estavam tão bem quanto no período anterior e as horas extras foram cortadas.

Infelizmente o cenário continuava pessimista para as empresas, que se viram obrigadas a reduzir seus quadros de funcionários. João estava neste “seleto grupo” e foi demitido. Passou então a não contar mais com essa renda para cumprir os compromissos assumidos. Dessa pequena historinha podemos tirar um exemplo do nosso comportamento imediatista frente aos compromissos de longo prazo.

Entendo que existam bens necessários que precisam ser adquiridos com uma certa urgência, porém o que não podemos fazer é assegurar altos compromissos sem uma base sólida (neste caso, garantir uma pontualidade de pagamentos a prazo com uma receita variável). Não é seguro. Receita variável jamais deve ser confundida como receita fixa ou permanente, pois ainda não inventaram uma máquina do tempo ou de previsão do futuro.

Sendo assim, vale a pena buscar ajuda de um especialista em finanças, quando estas oportunidades (essa receita variável) aparecerem. Entrar nas estatísticas de inadimplência não é saudável nem pra você, nem para o resto do país. Acredite…

Para saber mais
Nùmero de inadimplentes chega a 57 milhões em 2014 – http://bit.ly/1KwIWW9
Inadimplentes – http://bit.ly/1Lszo3C
Inadimplência do consumidor – http://bit.ly/1AlVSwd

Créditos da imagem – http://bit.ly/1OMX6IM