A Saga Brasileira, uma resenha

Por Frederico Castro Nunes.
SagaBrasileiraSe você acha a Miriam Leitão ruim porque ela gagueja e demora nos seus comentários na televisão, não use isso como pretexto para não ler o seu livro, Saga Brasileira (Editora Record, 2011), já que a velocidade da leitura dependerá de sua habilidade com as palavras.

O livro não é o A Ordem do Progresso (Marcelo de Paiva Abreu [org.], Editora Campus, 2014), não tem os movimentos da economia politica detalhadamente (e nem foi essa a intenção), muito menos exibe a grande quantidade de dados numéricos que geralmente os livros e textos econômicos possuem.

Mas é exatamente isso que torna o livro interessante, por contar a história por trás da história. Como, por exemplo, o pensamento e os bastidores dos partidos políticos e dos executivos na formação e aceitação dos planos, Cruzado, Bresser, Verão, Collor I, Collor II e o Real.

Bem escrito e muito bem organizado, o livro prende do início ao fim de forma simples, e até emociona em certas passagens. Os três primeiros capítulos trazem mais um panorama da atualidade e uma introdução do que realmente foi o início do Plano Real. Quem tem conhecimento da história política e econômica atual poderá achar redundante, mas é altamente recomendada sua leitura. A partir do quarto capítulo justifica-se a leitura de quase 500 páginas do livro.

o-senhor-dos-aneis-i_2540_1024x768De forma jornalística (e lembrando J.R.R. Tolkien, no momento da reunião da Sociedade do Anel no primeiro livro homônimo da trilogia Senhor dos Anéis, de J.R.R Tolkien), Mirian Leitão descreve como tantos economistas de diferentes escolas foram parar na PUC-RIO, na década de 80, e posteriormente contribuíram para a implantação do Plano Real.

Quem tem formação econômica ou bons conhecimentos da história do Brasil não irá achar esses capítulos repetitivos e maçantes, porque não é um livro de história da política econômica brasileira, como as bibliografias básicas exigidas nos cursos de economia aqui em terras tupiniquins. É na verdade uma historia do impacto dos planos sobre a população comum. Apresenta relatos inacreditáveis de pessoas que viveram aquela época, algo que emociona e prende o leitor. Dá vontade de ir à internet e procurar vídeos da época, principalmente os do plano Collor I.

Como jornalista a autora fez entrevistas com os principais executivos do governo e apresenta ótimos relatos, principalmente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e do ex-ministro da fazenda, Maílson da Nóbrega.

Os oito últimos capítulos são uma descrição clara de que ser economista no Brasil é “andar sobre a corda bamba”, porque o que está na corda é o Plano Real e todas as crises da segunda metade dos anos noventa são o vento tentando jogar todas as conquistas para a queda fatal.

Talvez o ponto essencial para os leitores mais jovens é a descrição dos efeitos da hiperinflação. Não só os efeitos numéricos, de consequências puramente econômicas, mas os efeitos psicológicos que recaíram sobre todas as pessoas, desde as economicamente ativas, que trabalhavam e se desdobravam para manter suas famílias, até a massa que nem conseguia entrar para o mercado de trabalho, em virtude da crise que a hiperinflação gerava.

Livro recomendado a quem é de esquerda, centro, direita. Sua leitura deve servir para que todo brasileiro que viveu naquela época nunca se esqueça dos horrores da hiperinflação. E para aqueles que não viveram entendam que o caminho que a economia e a nação trilhou da década de 80 até os dias de hoje foi realmente uma saga, tão única que pode ser chamada de brasileira.

 

Qualquer dúvida, crítica ou sugestão, entre em contato conosco!

 

Créditos das imagens:

Miriam Leitão – http://bit.ly/1IKwh1F

Saga Brasileira (capa) – http://bit.ly/1wchTZ4

O Senhor dos Anéis – http://bit.ly/1xpz2ih

2 thoughts on “A Saga Brasileira, uma resenha

  • Esse artigo é muito interessante, o jeito com que as palavras são colocadas, os fatos relembrados da história me remete a um instinto natural do ser humano que é a curiosidade, parabéns por esse artigo Frederico Castro Nunes.

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