Transporte público a R$1,20 no Brasil

mplNo Brasil inteiro, muito se têm reclamado sobre os custos com o transporte público e o nível do serviço que é prestado. Vamos entender como funciona essa conta?

O sistema de financiamento do transporte público nacional – com exceção da cidade de São Paulo onde há uma verba prevista em orçamento –, no geral, se dá por arrecadação direta da tarifa desembolsada pelo usuário, ou seja, o próprio cidadão paga. Então, somam-se todos os custos com o transporte e divide-se pelo numero de usuários pagantes, chegando assim no valor da tarifa cobrada atualmente.

Vale lembrar, que os valores mais representativos nessa tarifa são de folha de pagamento, contribuindo em aproximadamente 48% e os gastos com combustíveis, com algo em torno de 20% do custo total. Com isso, observamos que uma simples variação no preço do petróleo (hoje controlado pelo governo) ou até mesmo dissídios aos funcionários, elevará os custos e consequentemente a tarifação do transporte.

Há em outros países, alternativas interessantes para financiamento do transporte, que se aplicado em nosso país, certamente ocasionaria uma diminuição da tarifa ao usuário. Na França, mais especificamente em Paris, há um leque de fontes de financiamento – taxando empresas publicas e privadas, além de previsão em orçamento – que asseguram que a tarifa não ultrapassebrasil1 40% do custo do sistema. Interessante, não é?! Considerando o valor pago hoje, que é R$ 3,00, se adotássemos um sistema idêntico ao francês, hoje pagaríamos no máximo R$1,20. O restante da tarifa, os outros 60% é todo financiado por fontes externas.

Se multiplicarmos essa diferença de R$1,80 pelo numero de usuários do transporte publico, teríamos um bom dinheiro de volta às mãos das famílias, livre para poupar, investir, consumir… Portanto, exigem-se mudanças significativas, mas, de todo modo, SIM, é possível um transporte público mais barato à população.

Para saber mais:
Nota técnica do IPEA – http://bit.ly/1GPS5uD
Planilha de cálculo da SPTrans – http://bit.ly/1BKcZvt

Créditos das imagens (na ordem em que aparecem):
Transporte de Paris – http://bit.ly/1FHNPeg
Movimento Passe Livre – http://abr.ai/1BKcDoq
Mapa brasileiro e os transportes – http://abr.ai/1BKcDoq

8 thoughts on “Transporte público a R$1,20 no Brasil

  • Prezados,

    Para agravar a situação, temos que levar em consideração a precariedade do nosso sistema de transporte com custo alto e baixa eficiência.

    Albeni C. Azevedo

    • Caro Albeni,

      Com relação à baixa eficiência, acreditamos que tal argumento seja questionável, afinal, o sistema de transporte atende a todos.
      Entretanto, com relação aos custos, se observar um dos links que colocamos como referência (planilha de custos), notará que, apesar de altos, são custos que realmente fazem sentido.
      Logo, o que nos parece mais plausível (e que é tema central da discussão deste texto) é a questão das fontes de financiamento do sistema, como no caso do sistema francês. Buscaremos abordar mais esta questão em momento oportuno.

      Obrigado pela participação e por proporcionar tamanha reflexão.

      Forte abraço,
      Equipe Análise Econômica.

      • Prezados,

        Discordo da sua afirmação de que a ineficiência do transporte é questionável pelo fato de atender a todos. Esse sim é um argumento questionável, visto que atender à todos não significa ser eficiente.

        Albeni C. Azevedo

        • Caro Albeni,
          Peter Drucker, considerado o pai da Administração Moderna, escreveu em 1964 um livro intitulado “The Effective Executive” (Algo como “O Executivo Efetivo”). No decorrer do livro, ele disserta vastamente sobre as questões da eficiência e da eficácia. Uma de suas famosas citações, que por sinal encontra-se na obra supracitada, é: “eficiência é fazer as coisas da maneira correta, eficácia são as coisas certas. O resultado depende de fazer certo as coisas certas”.
          Assim, entendemos que, no que tange a questão do transporte, é possível afirmar que estamos fazendo as coisas da maneira correta, principalmente em SP, onde: a frota de ônibus foi praticamente toda renovada nos últimos anos; muitos desses ônibus utilizam combustíveis renováveis; muitos destes ônibus são confortáveis (ar-condicionado, poltronas estofadas, wi-fi, etc.) e totalmente adaptáveis para pessoas com necessidades especiais; a integração entre outras redes de transporte (notadamente trens e metrô) tornou-se ainda mais fácil; o bilhete único facilitou o uso do transporte; etc. Isso tudo refere-se a eficiência, de acordo com a citação de Peter Drucker, pois é fazer as coisas da maneira correta. Por esta razão, é questionável discutir eficiência.
          Entretanto, podemos discutir amplamente a questão da eficácia: será que as atitudes corretas estão sendo feitas? É muito bacana modernizar toda a frota de ônibus, torná-la mais agradável com ar-condicionado, com poltronas mais confortáveis, mas isso tudo encarece o preço da passagem, logo, será que é a atitude correta? Discutir isso é discutir eficácia.
          Esses argumentos fazem sentido?

          Forte abraço,
          Equipe Análise Econômica.

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