Visão rápida da semana: Emprego segue forte, mas indústria perde força no Brasil
Análise Econômica · · 4 min de leitura

Cenário nacional: mercado de trabalho avança enquanto indústria aprofunda a desaceleração.
O IGP-M subiu 1,57% em setembro, ante recuo de 0,22% em agosto. O IPA-M avançou 2,08% e o IPC-M subiu 0,50% no mês. O Índice de Preços ao Produtor, do IBGE, subiu 0,36% em agosto, após três recuos mensais. As concessões de crédito somaram R$738,8 bilhões em agosto, alta de 1,7% ante julho, confirmando a resiliência do canal de crédito. A inadimplência subiu para 5,0%. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, queda de 0,3% ante a leitura de maio, no menor nível da série histórica para o período.
O Caged registrou saldo de 165.827 vagas formais em agosto, bem acima da mediana de 93,5 mil,com serviços liderando a criação, com 110,3 mil postos. Setor industrial gerou 16,6 mil no mês. A produção industrial recuou 0,6% em agosto ante julho, contrariando a expectativa de alta de 0,1% e revertendo o avanço de 0,1% registrado em julho. O índice de gerentes de compras da indústria (PMI, na sigla em inglês), recuou a 44,8 pontos em setembro, o nível mais baixo em 41 meses. Números abaixo de 50 indicam contração do setor. As contas externas registraram déficit de US$5,1 bilhões em agosto, com a balança comercial de bens superavitária em US$6,6 bilhões e a conta de serviços negativa em US$5,3 bilhões. O Governo Central registrou déficit primário de R$13,585 bilhões em agosto, melhor que a mediana de R$14,150 bilhões e que o resultado negativo de R$15,5 bilhões observado em agosto de 2025.
Cenário internacional: emprego perde força nos EUA enquanto inflação acelera na Europa.
O índice de preços PCE subiu 0,3% em agosto e manteve a variação anual em 3,4%, abaixo da expectativa de 3,7%, com a leitura de julho revisada para baixo de 3,7% para 3,4%. O mercado de trabalho americano criou apenas 29 mil vagas em setembro, abaixo das expectativas de 89 mil. O dado anterior, referente a agosto, também foi revisado de 162 mil para 133 mil. A oferta de vagas empregos nos EUA medida pelo JOLTS caiu de 7,34 milhões para 7,08 milhões em agosto, abaixo da projeção de 7,23 milhões e menor patamar desde março. O emprego privado americano medido pela ADP cresceu 90 mil vagas em setembro, acima da projeção de 70 mil e mais que o dobro das 36 mil de agosto, no melhor resultado em três meses.
O PIB dos Estados Unidos cresceu 2,2% no segundo trimestre, em ritmo anualizado, acima dos 1,5% apontados na segunda leitura. O PMI industrial norte-americano avançou para 55,9 pontos em setembro, ante 53,9 em agosto. O resultado ficou abaixo das projeções de 57,0 pontos, mas bem acima do nível neutro, de 50,0. A inflação da Zona do Euro acelerou para 3,8% em setembro, ante 3,2% em agosto, segundo a leitura preliminar do Eurostat. O PMI industrial final da Zona do Euro subiu para 52,9 pontos em setembro, acima da prévia de 52,7 e maior patamar em mais de quatro anos.
A inflação ao consumidor preliminar da Alemanha acelerou para 3,3% em setembro, ante 2,9% em agosto, enquanto o núcleo ficou em 2,4%. O PMI industrial alemão avançou em setembro, acompanhando a melhora observada na indústria da Zona do Euro, cujo índice subiu a 52,9, maior nível desde maio de 2022.A produção industrial do Japão caiu 1,7% em agosto, segunda queda consecutiva, contra projeção de alta de 1,7%, pressionada pelo recuo de 6,8% na produção de veículos após terremoto e tufão. O PMI industrial da China subiu de 49,8 para 50,1 pontos em setembro, encerrando dois meses de contração e em linha com o esperado. A produção acelerou para 51,7, maior nível do ano.
Em resumo:
No Brasil, o mercado de trabalho voltou a surpreender positivamente: a taxa de desocupação permaneceu em 5,3%, no menor nível da série para o período, e o Caged registrou 165,8 mil novas vagas formais em agosto, bem acima das expectativas. O crédito também avançou, embora acompanhado por alta da inadimplência. Em contraste, a indústria recuou 0,6% em agosto e o PMI caiu para 44,8 pontos, menor nível em 41 meses. Nos preços, IGP-M, IPA-M e preços ao produtor voltaram a subir.
No exterior, os Estados Unidos apresentaram sinais mistos: a criação de empregos desacelerou e a oferta de vagas caiu, enquanto o PIB do segundo trimestre foi revisado para 2,2% e o PMI industrial permaneceu em expansão. Na Europa, a atividade industrial melhorou, mas a inflação voltou a ganhar força, chegando a 3,8% na Zona do Euro. Na Ásia, a indústria chinesa retornou ao território de expansão, enquanto a produção industrial japonesa registrou sua segunda queda consecutiva.


