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Visão rápida da semana: Inflação volta a pressionar enquanto expectativas de crescimento perdem força

Análise Econômica · · 2 min de leitura

Cenário nacional: inflação surpreende e mercado recalibra juros e crescimento

O IPCA-15 subiu 0,70% em setembro, ante a deflação de 0,40% de agosto e bem acima da mediana do mercado. Com o resultado, a prévia acumula 3,82% no ano e 4,47% em 12 meses. O Banco Central reduziu a projeção de crescimento do PIB de 2,0% para 1,8% em 2026 no relatório de Política Monetária, com estimativa de 1,4% para 2027. O Focus reduziu a projeção da Selic para o fim de 2026 de 13,75% para 13,50%, sinal de que parte do mercado passou a incorporar mais um corte além do já realizado em setembro.

A mediana do IPCA deste ano subiu levemente para 4,92%, a de 2027 ficou em 4,30% e a do PIB caiu de 1,89% para 1,88%, abaixo dos 2,0% projetados pelo Banco Central. A ata da reunião de setembro do Copom manteve aberta a possibilidade de um novo corte em novembro. A confiança do consumidor recuou 0,5 ponto em setembro, para 84,2 pontos, menor nível desde novembro de 2022 e quinta queda consecutiva. A arrecadação federal somou R$235,57 bilhões em agosto, recorde para o mês, com alta real de 8,25% sobre agosto de 2025, ainda que abaixo da mediana de mercado de R$239 bilhões.

Cenário internacional: atividade permanece forte nos EUA e avança na Zona do Euro

Os pedidos iniciais de seguro-desemprego semanais nos EUA caíram para 197 mil, abaixo da projeção média de 201 mil. O dado anterior também foi revisado para baixo (1898 mil). O emprego privado norte-americano, medido semanalmente pela ADP, avançou 20 mil vagas, ante 16,3 mil vagas. O PMI industrial preliminar dos EUA saltou de 53,9 para 57,0 pontos em setembro, muito acima da projeção de 53,6 e maior patamar da série recente.

Na Zona do Euro, o PMI industrial ficou estável em 52,7 pontos, ligeiramente acima do esperado, enquanto o composto subiu de 52,0 para 53,1 pontos. Na Alemanha, o PMI industrial recuou de 54,3 para 53,8 pontos, abaixo da projeção, após atingir máxima de mais de quatro anos em agosto. O Banco Popular da China manteve as taxas preferenciais de empréstimo pelo 16o mês consecutivo, com a de um ano em 3,00% e a de cinco anos em 3,50%.

Em resumo:

No Brasil, o IPCA-15 avançou 0,70% em setembro, acima das expectativas, levando a inflação em 12 meses para 4,47%. Ao mesmo tempo, o Banco Central reduziu sua projeção de crescimento do PIB para 1,8% em 2026, enquanto a confiança do consumidor atingiu o menor nível desde novembro de 2022. Mesmo com a surpresa inflacionária, Focus e ata do Copom mantiveram no radar a possibilidade de mais um corte da Selic, reforçando o equilíbrio delicado entre inflação e desaceleração da atividade.

No exterior, os Estados Unidos apresentaram novos sinais de força, com PMI industrial saltando para 57 pontos, além de dados positivos do mercado de trabalho. Na Zona do Euro, os indicadores de atividade também permaneceram em território de expansão, embora a indústria alemã tenha perdido algum ritmo. Já na China, o banco central manteve suas principais taxas de empréstimo inalteradas pelo 16º mês consecutivo.

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